ILLUMINATI

O CÓDIGO ILUMINADO

Augustin Barruel

AUGUSTIN BARRUEL

PELA PRIMEIRA VEZ EM PORTUGUÊS

Em inédita tradução de Roberto Leal Ferreira, feita a partir dos originais da primeira edição francesa de 1799, a clássico análise do Código dos Illuminati bávaros de Augustin Barruel.

Aproveitando-se dos documentos secretos apreendidos pelo rei da Baviera,  Barruel analisa a fundo o alcance da conjuração da seita criada por Adam Weishaupt..

Spartacus Weishaupt
Adam Weishaupt

ILLUMINATI:
UMA MÁQUINA DE PODER BASEADA NA INFORMAÇÃO

Criada por Weishaupt em 1776, os Illuminati constituíam uma sociedade secreta altamente hierarquizada,. Os membros de cada grau iniciático desconheciam completamente o que se passava nos graus superiores, e eram obrigados a fornecer aos superiores todo tipo de informação pessoal, não só sobre si mesmos, mas também sobre os familiares e amigos. Além disso, cada membro estava sujeito ao olhar atento da seita, que esquadrinhava e anotava os mais mínimos detalhes da vida de seus membros. A informação assim reunida era o cerne do poder da seita. Internamente,  servia para garantir a fidelidade dos membros, que não ousavam rebelar-se contra uma organização que dispunha de todos os seus segredos.  Externamente, servia para escolher os pontos fracos dos inimigos da seita.

Uma impressionante máquina de poder baseada na informação e na espionagem. Em tempos de Snowden e Wikileaks,  toda semelhança não é mera coincidência.

Eis o que ele nos conta sobre a coleta de dados que envolve a admissão ao grau de Iluminado Maior, no Capítulo 7:

[O perfeito espião, ou Código investigador dos Irmãos] Não sei de onde Weishaupt tirou esta parte do Código que governa os Irmãos Investigadores, mas imaginai uma série de pelo menos mil e quinhentas perguntas sobre a vida, a educação, o corpo, a alma, o coração, a saúde, as paixões, as inclinações, os conhecimentos, as relações, as opiniões, o domicílio, os hábitos, as cores favoritas do candidato; sobre os parentes, os amigos, os inimigos, o comportamento, as palavras, o andar, os gestos, a linguagem, os preconceitos, as fraquezas; numa palavra, perguntas sobre tudo o que pode revelar a vida, o caráter político, moral e religioso, o interior e o exterior de um homem, e tudo o que ele faria, diria ou pensaria numa circunstância qualquer; imaginai ainda sobre cada um desses artigos vinte, trinta e às vezes cem perguntas diferentes, uma mais profunda do que a outra: eis o catecismo ao qual o Iluminado Maior deve responder e sobre o qual deve orientar-se para traçar a vida e todo o caráter dos Irmãos ou até dos profanos que importa à Ordem conhecer. É esse o Código investigativo com base no qual a vida do candidato deve ter sido traçada, antes que seja aceito no grau de Iluminado maior. Esse Código é chamado, nos estatutos da Ordem, nosce te ipsum, conhece-te a ti mesmo. Essa mesma frase serve de senha para esse grau; mas quando o Irmão a pronuncia, o outro responde: nosa alios, conheça os outros; e essa resposta exprime muito melhor o objeto de um Código que poderíamos chamar de o perfeito espião. Julgue-se pelas seguintes perguntas:

Sobre a fisionomia do iniciado: “seu rosto é corado ou pálido? Branco, preto, loiro, moreno? Tem o olhar vivo, agudo, embaçado, lânguido, amoroso, soberbo, ardente, abstruso? Ao falar, olha ele nos olhos ou de lado? Consegue suportar um olhar firme? Tem um ar esperto ou aberto e livre, ou sombrio, pensativo ou distraído, leviano, insignificante, amistoso, sério? Tem olhos fundos ou arregalados ou um ar distraído? Sua testa é franzida? Como? Horizontalmente ou de cima para baixo? etc”.

“Sobre o aspecto: é nobre ou vulgar, livre, desenvolto ou acabrunhado? Anda de cabeça empinada ou cabisbaixo? Para a frente, para trás ou para o lado? Firme ou trêmula? Afundada nos ombros ou girando de um lado para o outro?”

“Seu andar é lento, rápido, pausado, de passos longos ou curtos, arrastado, preguiçoso, saltitante etc”.

“Sua fala é regular ou desordenada, entrecortada? Ao falar, agita as mãos, a cabeça, o corpo com vivacidade? Aproxima-se daquele com quem fala? Pega-o pelo braço, pela roupa, pelos botões?... Fala muito ou é calado? E por quê? É por prudência, ignorância, respeito ou preguiça? etc”.

“Sua educação: A quem a deve? Sempre esteve sob a guarda dos pais? Como foi criado e por quem? Estima os mestres a que deve sua formação? Viajou? Em que país?”

Julguem-se por essas perguntas aquelas que tratam da mente, do coração, das paixões do iniciado. Sobre esses assuntos, só assinalarei as seguintes: “quando se encontra entre diversos partidos, qual o que defende? o mais forte ou o mais fraco? o mais espiritual ou o mais bruto? forma um terceiro partido? é constante e firme apesar dos obstáculos? como se deixa conquistar? pelos elogios, pelas lisonjas, pelas baixezas, pelas mulheres, pelo dinheiro, pelos amigos etc. Se gosta da sátira, contra que prefere exercê-la? Contra a religião, a superstição, a hipocrisia, a intolerância, o governo, os ministros, os monges etc”.

Os Investigadores têm ainda de incluir muitos pormenores na história de seu iniciado. É preciso que cada característica com que o retratam seja demonstrada por fatos e sobretudo por esses fatos que traem um homem, quando ele menos espera (Carta de Weishaupt). É preciso que eles sigam até no sono o Irmão investigado; que sejam capazes de dizer se é dorminhoco, se sonha, se fala durante o sono; se é fácil ou difícil de acordar e que impressão nele provoca um despertar súbito, forçado, inesperado?

Se houver uma dessas questões ou alguma parte da vida do Recipiendário sobre a qual a Loja não tenha sido suficientemente instruída, diversos Irmãos são escolhidos e encarregados de dirigir para essa arte todas as suas investigações. Quando finalmente o resultado se acha em conformidade com os desejos da Seita, é marcado o dia da recepção. Deixando de lado os pormenores insignificantes do rito maçônico sobre a qual ela se baseia, examinemos apenas as circunstâncias mais próprias do Iluminismo.

[ Admissão ao grau de Iluminado maior] Introduzido num quarto escuro, o adepto renova seu juramento do mais profundo segredo sobre tudo o que vir ou aprender a respeito da Ordem. Em seguida, entrega ao seu Introdutor a história selada de sua vida; ela é lida na Loja e comparada com o quadro histórico traçado pelos mesmos Irmãos do Recipiendário. Terminada a leitura, volta o Introdutor e lhe diz:

“Deste-nos uma prova preciosa de confiança; mas, na verdade, não somos indignos dela; e esperamos que ela venha a aumentar, à medida que nos conheceres melhor. Entre homens que só buscam tornar-se melhores, a si mesmos e aos outros, e a salvar o mundo inteiro de suas desgraças, já não deve haver dissimulação. Longe daqui, portanto, toda reserva. Estudamos o coração humano – por isso, não nos envergonhamos de revelar nossos erros uns aos outros. Eis, portanto, o quadro que a assembleia dos Irmãos traçou de tua pessoa. Deves reconhecer pelo menos alguns traços semelhantes. Lê e responde em seguida se continuas a querer pertencer a uma Sociedade que, assim como és,  te estende os braços”.

Se a indignação ante a estranha espionagem de que é prova esse quadro histórico pudesse levar a melhor no coração do aluno sobre o medo de abjurar uma Sociedade que doravante conta contra ele com tais armas, ele não hesitaria em pedir o afastamento; mas percebe o que tal ato poderia custar-lhe. Ele mesmo, aliás, já se acostumou com as funções investigadoras para se ofender com o resultado delas a seu respeito. Dão-lhe algum tempo para meditar. O desejo de ser elevado ao novo grau supera qualquer outra consideração; ele é introduzido na Loja dos Irmãos; e ali, parte do véu que cobre os segredos da Seita é levantado para ele; ou melhor, ainda ali são os seus segredos que lhe arrancam, para saber até que ponto seus anseios se aproximam dos da Seita.

* * *

A dificuldade de acesso ao texto de Barruel ajudou a se criarem alguns mitos a seu respeito. Um deles é que se trataria de texto antisssemita: a oposição de Barruel seria na verdade um ataque ao judaísmo. Nada mais falso. Barruel deixa bem claro que o acesso dos judeus à seita era proibido, e em mais de um momento apela justamente para as demais religiões, em sua acusação de que a máquina de guerra de Weishaupt tinha como alvo a destruição não só do cristianismo, mas de todas as religiões:

Sem permissão expressa, não admitirá na Ordem nem pagãos, nem judeus, mas colocará no mesmo caso todos os monges. (...) A razão dessas exclusões é óbvia. Falar de religião, admitir sem precaução judeus, turcos ou pagãos teria sido manifestar rápido demais o que fosse tal religião. Não rejeitar os religiosos era expor-se a se revelar por seus próprios adeptos.


Outro mito é a suposta identificação dos Illuminati com a maçonaria.  O que, como deixa explícito Barruel, é falso, pois a seita foi criada anos antes da filiação de Weishaupt à maçonaria.  

Evitarei, entre outras coisas, nessa parte, apontar a maçonaria como a origem do Iluminismo; fica demonstrado, pelas cartas mesmas do Instituidor, que ele só se tornou maçom depois de ter instituído seu Iluminismo, no ano de 1777; e que dois anos mais tarde ainda não conhecia seus mistérios.

Na verdade, Espártaco, nome-de-guerra de Weishaupt, desprezava profundamente a maçonaria, que considerava nociva:

Os maçons, como os sacerdotes e os chefes dos povos, banem do mundo a razão; a terra vê-se por eles inundada de tiranos, impostores, espectros, cadáveres e homens semelhantes às bestas ferozes

além de pueril. Seu objetivo era valer-se dela como fachada para as tividades político-ideológicas da seita:

Por isso cumpre sempre esconder-nos sob o nome de outra sociedade. As lojas inferiores da maçonaria são, por enquanto, a cobertura mais conveniente ao nosso grande objetivo,  porque o mundo já está acostumado a não esperar da parte dos maçons nada de grande e que mereça atenção.

O livro é a tradução integral do livro III das Memórias para servir à História dos Jacobinos, em 4 volumes. É o ponto central da mesma, e pode ser lida separadamente do resto da obra.

Leitura obrigatória para o estudioso da genealologia do poder na modernidade e pós-modernidade ocidental.


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pdf capítulo 7